RJ: hostel no morro

Esse post está saindo do forno, afinal a experiência foi bem recente. Estive no Rio de Janeiro na semana da Páscoa com uma amiga e ao contrário do que sempre faço, dessa vez me livrei da responsabilidade de reservar um hostel. Eu apenas segui as coordenadas.
Quando ela me disse que havia feito nossas reservas num albergue perto de Copacabana, fui olhar no Google Maps. Para meu espanto vi que era numa favela, ou melhor, numa comunidade (afinal no Rio não é muito simpático falar favela, eles gostam de ser chamados de comunidade). Ok! Pensei que no mínimo seria uma nova e interessante experiência.


Quando chegamos na entrada do morro, confesso que foi um choque de realidade. Logo no começo da ladeira demos de cara com uma viatura da polícia. Andamos mais uns dez passos e avistamos algo que não se pode chamar de ponto, mas sim um puxadinho em que estavam em fila vários moto-táxis (mais tarde eu iria entender porque eles são tão requisitados). Começamos a subir como duas mochileiras que somos (agradeço aos céus por não ter levado mala de rodinhas) e a cada esquina que virávamos a rampa ficava mais inclinada. Eu costumo dizer que minha amiga é maratonista, sobe uma ladeira como uma miss, sem nem transpirar. Já eu, cheguei ao final do percurso com os quatro pneus arriados e a língua pra fora. Demoraram alguns segundos depois de um copo de água para que eu voltasse a raciocinar normalmente.

O hostel em questão é o Chill Hostel Rio (www.chillandsurf.com), localizado no Leme, na tranquila favela da Babilônia. Uma casa escondida atrás de altos portões e que se revelou aos poucos um segundo lar. Os principais motivos que fizeram minha amiga escolhê-lo foram: o preço (R$ 30 por pessoa) e o fato de haver um quarto com apenas duas camas. Confesso que dormir com mais 6 ou 7 pessoas não me atrai muito. Nosso quarto era uma graça, com uma janela enorme que propiciava uma vista privilegiada.

Nosso quarto

Nascer do sol
A cozinha era de uso livre e ainda havia um terraço onde são feitos churrascos de vez em quando. A sala é aconchegante, os hospedes são livres para assistirem TV, jogar sinuca, ouvir música ou ainda acessar a internet gratuitamente. Outro ponto positivo são os banheiros. Há três, sendo dois com chuveiros, e mesmo com o hostel lotado sempre estão limpos.

O dono do hostel é um mineiro extremamente simpático chamado Luis, que há três anos trocou Minas pelo Rio e decidiu dividir seu lar com turistas, na maioria estrangeiros, como viemos a saber depois. Segundo ele os gringos preferem se hospedar no morro porque sabem que ali o risco de serem assaltados é menor do que se ficar na Zona Sul, sem contar que é uma oportunidade única de conhecer uma realidade totalmente diferente da que estão acostumados a ver. Concordo!
O Luis mora não mora exatamente no hostel, mas sim num anexo no mesmo terreno. Aliás ele não mora sozinho, a Jane é a ‘menina’ da casa: uma filhote de pitbul branca que é uma graça.

Mas voltando às nossas primeiras impressões sobre o lugar, devo confessar que nem a simpatia do Luis foi suficiente para me demover da idéia de trocar de hostel. Inclusive chegamos a ir a outros dois hostels em Ipanema e Botafogo, mas como estavam lotados por conta da semana santa, os quartos chegavam a estar sufocantes.
Como já havíamos pago a primeira diária resolvemos ficar para ver como seria a noite ali na comunidade. Para nossa surpresa foi extremamente tranquila. E como nada melhor que um dia após o outro, no segundo dia começamos a nos apaixonar pelo lugar. Lógico que ainda restava um problema: a bendita rampa. Mas como saíamos cedo e só voltávamos a noite, foi um problema fácil de ser superado. E também havia os moto-táxis, como disse anteriormente.

Pra descer todo sando ajuda


Eu usei o serviço duas vezes e digo que foi os 2 reais mais bem investidos daquela semana. Sim, custa R$ 2 para você subir ou descer qualquer que seja o trecho dentro da Babilônia.
Eu não tive tempo de conhecer toda a comunidade, mas soube que existe um tour a pé pela favela, que nos anos 50 foi cenário do filme Orfeu Negro. O tour é feito por trilhas e dizem garantir vistas espetaculares do alto do morro. Mais informações aqui (
http://lemebabilonia.multiply.com/journal/item/2).


E para quem tem dúvidas se é seguro mesmo se hospedar no morro, eu posso responder pelos cinco dias que passei e pelo que os policiais me falaram. Sim, não resisti à curiosidade e fui perguntar por que eles estavam tããão presentes ali, se todo mundo afirmava que o morro era seguro. Foi então que eu soube que a Babilônia já foi comandada pelo tráfico e milícias, mas hoje é um território pacificado. Trata-se de um projeto do governo chamado UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), que além de garantir segurança à comunidade, também promovem aulas gratuitas de xadrez e violão para as crianças.


Aqui tem uma reportagem feita na comunidade que mostra as trilhas e esclarecer sobre a segurança, vale a pena assistir! (http://chapeutour.blogspot.com/2010/03/reportagem-record.html)
Nos dias em que fiquei ali não vi nada que me assustasse (além da rampa rs) e até passeios noturnos fizemos. Aliás, fica a dica para quem decidir se hospedar no Chill Hostel Rio: não deixe de experimentar o açaí vendido na barraquinha em frente ao albergue. É divino!

Ledinara Batista

Ledinara é jornalista, blogueira e estudante de turismo. Curitibana que adora turistar pela cidade, descobrindo lugares novos. Principalmente se esses lugares tiverem doces, guloseimas e Nutella! Suas descobertas estão aqui, no blog Férias NOW, onde dá dicas para você tirar férias, nem que seja em pensamento.

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