Feira do Largo da Ordem: turismo, cultura e comprinhas, tudo num só lugar

Fazia alguns anos que eu não ia à Feirinha do Largo da Ordem, o que é uma vergonha, morando tão próximo à Curitiba (eu moro em São José dos Pinhais, a meia hora do centro). Mas como amo umas balinhas de coco geladas que só encontro lá, e também queria escrever aqui no FériasNow! há tempos sobre isso, aproveitei o lindo dia de sol (+ de 30°C) e fui logo cedo para o centro histórico.

Uma pequena dificuldade para encontrar uma vaga onde conseguisse estacionar me fez rodar alguns minutos até decidir, por cansaço, a deixar num estacionamento. Para quem pensa em ir de carro fica a dica: se prepare para pagar pelo menos R$ 7 de estacionamento, por um período de 3 horas.
Carro guardado, hora de bater perna!

Para quem não conhece, a Feira do Largo da Ordem é um mercado aberto que funciona todos os domingos, das 9h às 14h, e onde você encontra coisas inimagináveis, que vão desde bijuterias, pinturas, esculturas, antiguidades, brinquedos, vestuário, livros e discos usados, moedas e selos antigos e os mais variados tipos de artesanato. Além de uma excelente gastronomia. O tradicional ‘menu’ da Feirinha é Pastel + Caldo de Cana. É uma heresia sair de lá sem experimentar pelo menos esse aperitivo.



A Feirinha é considerada um ponto turístico para quem visita Curitiba. No meio da manhã mais parece um formigueiro subindo e descendo as ladeiras. Por alguns minutos me senti no El Rastro de Madrid. Mas acho que a nossa feira é maior, pelo menos é mais bem organizada, não tem tantos carrinhos de bebê.
Entre as inúmeras barraquinhas, muitas chamam a atenção, seja pelo colorido, pelos produtos, ou até mesmo pela criatividade, como é o caso dessas quatro que vou citar.

A primeira é a barraquinha da Margarete, que faz roupas com lacres de latinhas. Ela já é famosa, esteve inclusive no programa da Eliana mostrando algumas peças. Além das roupas o que chama a atenção também são as rosas de tecido, expostas de uma maneira a criar um lindo colorido. A barraca dela fica em frente à Igreja do Rosário. E mais informações podem ser vistas no www.margareteartes.blogspot.com.



A segunda barraca que me chamou a atenção foi a Iva Art’s, que vende cofrinhos em formato de porquinhos. Mais bacana que os próprios porquinhos em cerâmica, é que ali você pode ter uma notinha de conhecimento também. Há um cartaz contando a história dos cofrinhos, que vou reproduzir aqui também porque é bem interessante.

A origem do cofrinho em forma de porco
Durante a Idade Média não havia muito metal disponível e praticamente todos os utensílios domésticos eram confeccionados com um tipo de argila de tom vermelho escuro conhecida como pygg. Em alguns lugares, os objetos feitos com esse material acabavam sendo chamados também de pygg, que é semelhante à pig, palavra que em inglês significa porco. Nesta época era hábito guardar-se moedas em vasilhas comuns, nomeadas de piggy pots. Com o tempo a argila foi substituída como matéria-prima, mas a semelhança com a palavra que designa porco acabou ditando a moda do formato dos cofrinhos. O modelito acabou virando mania na Inglaterra no século XVII e continua em alta até hoje.

No Ateliê do Félix, você vê lixeiras em formatos mais que engraçados: diferentes, que vai desde um jacaré até um morango. São feitas em fibra de vidro e muito bonitas. Certamente chamam a atenção de quem passa.

Numa barraquinha muito curiosa encontrei o Hélio Leites. Depois soube que ele já é figurinha carimbada da feirinha (e em Curitiba). Posso dizer que ele é o melhor exemplo para o termo ‘Maluco Beleza’. Um artista que faz a sua arte de coisas pequenas como um botão, uma caixa de fósforos, um palito de sorvete, uma latinha de sardinha ou um pé de sapato como esse abaixo. Mas ele não apenas vende sua arte, ele apresenta seus trabalhos de uma maneira cativante, contando histórias. É a perfeita união de inteligência e improviso que deixaria muito comediante de stand up no chinelo.

Quando pedi um cartão ele me disse que não tinha ali, mas que providenciaria. Em seguida pegou um saquinho de papel, fez um rápido desenho, anotou o telefone e levou à boca. Soprou, soprou, fechou o pacotinho e disse: “Aqui está. Estou te dando o ar da minha graça. Cuide bem dele!”. Tem como não se encantar?

Pé de sapato se torna cenário

No melhor estilo ‘Maluco Beleza’

Seu ‘cartão de visitas’

Minha ultima barraquinha que merece ser citada é a da Érika. Ela é conhecida aqui no blog, das famosas guloseimas do post Em Curitiba tarde de sol pede parque’.Fiquei surpresa ao encontrar as deliciosas bolachinhas com muito mais fácil acesso. Afinal ali é bem mais fácil comprar, sem o apinhado de gente do Bosque do Alemão.

Resumo da manhã: algumas horas de cultura em um adorável passeio em que consegui controlar (acho que até bem) o meu lado consumista. Entre balas de coco, biscoitos e chaveiro, minha maior extravagância foi uma boina que eu procurava há tempos e que encontrei ali, da cor que eu gosto e num momento muito propício em que minha cuca já tava ardendo do forte sol a pino.

‘Que tal?’

SERVIÇO:
Todos os domingos das 9:00h às 14:00h
www.feiradolargo.com.br

Ledinara Batista

Ledinara é jornalista, blogueira e estudante de turismo. Curitibana que adora turistar pela cidade, descobrindo lugares novos. Principalmente se esses lugares tiverem doces, guloseimas e Nutella! Suas descobertas estão aqui, no blog Férias NOW, onde dá dicas para você tirar férias, nem que seja em pensamento.

Leave a Reply