Almocei no restaurante mais antigo do mundo: Sobrino de Botín

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Quando organizei minha viagem mais recente para Madri (novembro de 2015), uma das primeiras coisas que pensei foi: preciso conhecer o Botín!
Das outras tantas vezes que estive na cidade, ele sempre estivera na lista, mas talvez por questão de tempo ou prioridades, acabava ficando para uma ‘próxima vez’.

Desta vez, reservei o almoço para o meu último dia em Madri. Meu voo seria às 21h, então eu tinha o dia todo para aproveitar. Consegui fazer a reserva com dois dias de antecedência, para a turma das 13h, a primeira turma de almoço do dia.

Cheguei antes do restaurante abrir e já havia algumas pessoas esperando na porta. Turistas, como era de se imaginar. O restaurante está sempre lotado, no almoço e no jantar. E a maioria dos clientes são turistas. Afinal, quem resiste ao apelo de fazer uma refeição no restaurante mais antigo do mundo? É no mínimo uma experiência diferente e curiosa.

Até chegar ao Botín, você passa por diversos restaurantes encantadores.

Até chegar ao Botín, você passa por diversos restaurantes encantadores.

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A porta da cozinha estava aberta, aumentando o charme da fachada.

A porta da cozinha estava aberta, aumentando o charme da fachada.

O Botín, ou melhor, o Sobrino de Botín (nome correto) está no Guinness, o livro dos recordes, como o restaurante mais antigo do mundo em funcionamento, sem nunca ter fechado. O forno, inclusive, é o mesmo usado na época em que ele inaugurou, em 1725, quando era apenas uma pensão onde os viajantes podiam cozinhar suas refeições. Naquela época, só açougueiros e comerciantes podiam servir comida, então os viajantes que não tinham como pagar nesses lugares, compravam sua própria comida e iam até o Botín para cozinhar e assar.

Voltando para 2015... entrei e fui encaminhada para a minha mesa, no porão do restaurante, onde a decoração é mais medieval, com paredes de pedra. O prédio tem quatro andares e o subsolo é o que mais provoca uma viagem no tempo. Nos outros andares há mesas também e os salões são mais amplos.

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Como eu estava apenas na companhia de mim mesma, resolvi pular a entrada e ir direto para o famoso prato principal: o cochinillo.
Antes, claro, pedi um vinho, um Rioja. Uma das coisas boas de ir sozinha a um restaurante é que você presta mais a atenção aos detalhes, nas pessoas e curte o momento. Mas também não descarto a ideia de que um jantar num restaurante como o Botín favorece o romantismo. Havia um casal ao meu lado que demonstrava claramente isso.

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Como meu vinho veio bem antes do prato, aproveitei para brindar comigo mesma enquanto imaginava como deveria ter sido Madri há tantos anos atrás, ou quantos milhões de pessoas já se fizeram uma refeição naquele porão. Meu prato chegou justamente quando eu tentava calcular quanto deveria ser o faturamento mensal do restaurante, uma vez que tem capacidade para até 200 pessoas e costuma estar lotado nos dois turnos em que fica aberto.

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O cochinillo com batatas roubaram a minha atenção. Cochinillo é um leitão que vive no máximo 20 dias, por isso, depois de assado por horas, sua carne fica tão macia que se desmancha na boca. Esse é o segredo da fama do prato, que é muito comum em Segóvia e Ávila, cidades próximas de Madri.

No Botín, o prato custa 24,60 € e já vem com os pedaços cortados ao lado de três batatas assadas. Não é um prato muito grande, mas caso esteja em um grupo, é possível pedir um cochinillo inteiro.
A carne é realmente muito macia e com um vinho tinto faz uma combinação incrível. Abri mão da sobremesa porque afinal, restavam poucas horas na cidade e as opções de doces eram infinitas.

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Depois de um almoço dos deuses, o difícil foi querer ir embora. Principalmente porque depois de uma meia garrafa de vinho, subir a escada inclinada que leva ao salão principal é uma tarefa que exige muita concentração e habilidade.

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Antes de sair, aproveitei para conhecer os outros andares. Todos muito bonitos e mais arejados. Porém, sem aquela identidade medieval.

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Li alguns reviews sobre o restaurante que diziam que não valia a pena. Discordo. O valor é salgadinho como em qualquer restaurante mais turístico. Paguei 37€ pelo prato com uma garrafa de água e meia garrafa de vinho. Se for um casal, pode preparar no mínimo 100€. O atendimento é eficiente, alguns garçons até arriscam falar em português. Mas se você for como eu, que prioriza experiência, então, não pense duas vezes e anote já o endereço!

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E para quem quer o restaurante mais privado, existe o The Botin Experience, onde há um grupo especial para o almoço e outro para o jantar antes do restaurante abrir. Uma refeição mais privada, com duração de 45 minutos, onde você conhece o restaurante e aprecia o menu degustação, que inclui entrada, prato principal, sobremesa, vinho, água e café, por 75€.

Aquela foto que um desconhecido sempre se oferece para tirar e que no final você constata que era melhor ter feito uma selfie.

Aquela foto que um desconhecido sempre se oferece para tirar e que no final você constata que era melhor ter feito uma selfie.

Onde fica:
Calle Cuchilleros, 17, 28005
Abre todos os dias, das 13h às 16h e das 20h às 00h.

Site: http://www.botin.es/

The Botin Experience: www.insidersmadrid.com/tours/food-and-wine-tours/botin-restaurant-madrid-spain/

Ledinara Batista

Ledinara é jornalista, blogueira e estudante de turismo. Curitibana que adora turistar pela cidade, descobrindo lugares novos. Principalmente se esses lugares tiverem doces, guloseimas e Nutella! Suas descobertas estão aqui, no blog Férias NOW, onde dá dicas para você tirar férias, nem que seja em pensamento.

3 Responses to “Almocei no restaurante mais antigo do mundo: Sobrino de Botín”

  1. avatar
    1
    boas dicas Says:

    Ola adorei tuas dicas. Estamos indo pela primeira vez para Madri. o que vc. sugere nos primeiros 3 dias por lá. Este guias grátis é uma boa?

  2. Ledinara Batista
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    Leidinara Batista Says:

    Ai que delícia…. ir para Madri!! <3
    Aproveita o waalking tour sim, eles saem da Plaza Mayor, geralmente às 11h. Mas no seu hotel ou hostel eles devem ter as informações certinhas dos horários dos tours. Conheça o Parque Retiro, vocês vão amar. Deixe para passear uma tarde pela calle Fuencarral e se for num domingo, termine a noite em La Latina. Três dias é pouco, mas certamente você vai querer voltar mais vezes!

  3. avatar
    3
    Jorge Campos Says:

    olá! seria elgal se tivesse a opção de compartilhar por email

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