A triste (e curta) vida de um Cochinillo em Segóvia

Eu sou carnívora, admito! Por mais que quisesse muito ser vegetariana (e eu gostaria mesmo de poder ser) não conseguiria. Às vezes como carne com peso na consciência, mas como, não tem jeito.
Porém quando estive na cidade de Segóvia, na Espanha, em 2008, não consegui provar um prato que é tradicional lá: o cochinillo. Passei a manhã conhecendo a cidade e na hora do almoço nosso guia recomendou que provássemos o que ele chamava de um ‘prato dos deuses’. Fomos ao restaurante que ele dizia fazer um dos melhores cochinillos da região. Logo na entrada já fiquei um tanto impactada com a ‘vitrine’ do estabelecimento. Nunca tinha visto algo parecido. Mas ainda assim entrei.


O restaurante (que infelizmente não me recordo o nome) estava lotado. Em quase todas as mesas se via o tradicional e tão falado prato. Porém logo que vi a primeira bandeja decidi que não teria estômago para encarar.



Eu imaginava aquele pobre leitãozinho na minha mesa, ‘olhando para mim’ como quem diz ‘vai ter coragem de me comer?’. E mais, ele vem no prato assim e só é cortado na mesa. Não tive coragem! Acabei optando por uma massa, que por sinal foi estupenda.

Algum tempo depois, pesquisando a história do prato tive mais certeza de que fiz bem em não ter comido, mesmo sendo carnívora. Se o tivesse feito teria ficado com um peso enorme na consciência. Dizem ser uma carne tenra e muito saborosa, sem comparação. E acredito mesmo que seja. Afinal esses leitõezinhos não vivem mais que 15 ou 20 DIAS. São criados especificamente para ir parar no prato de algum turista. Durantes os pouquíssimos dias de vida se alimentam apenas de leite materno e seu peso oscila entre os 4,5 kg e os 6,5 kg. Antes de ir para o forno ele é aberto e posto de costas. Depois é assado por três horas e aí vai parar nas mesas, onde para provar a maciez da carne ele é cortado com um prato, ao invés de uma faca. Dificilmente sobra algum pedaço.

Não sei vocês, mas eu acho uma história triste demais.

Ledinara Batista

Ledinara é jornalista, blogueira e estudante de turismo. Curitibana que adora turistar pela cidade, descobrindo lugares novos. Principalmente se esses lugares tiverem doces, guloseimas e Nutella! Suas descobertas estão aqui, no blog Férias NOW, onde dá dicas para você tirar férias, nem que seja em pensamento.

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